quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A Mãe da Paula


Ontem à noite tento me conectar, não consigo. "Merda", penso, "tenho que ir amanhã pagar."

Hoje logo após o almoço vou até o provedor para resolver o problema (não, não há débito em conta. Não há boletos, tampouco. E não, não tem conta no BB pra eu transferir), e nem bem coloco a ponta do pé na porta, vem chegando a moça responsávelo pela assistência técnica, suando em bicas e empurrando uma bicicleta. Sorrio para a atendente à mesa, enquanto a moça da bicicleta senta-se em outra cadeira e segue-se um diálogo no mínimo, inusitado. Se não esdrúxulo.

"Boa tarde" (eu)

"Essa é a mãe da Paula!" (a atendente, com cara de quem descobriu a roda)

"É, eu sou..." (eu de novo)

"Eu sei que ela é a mãe da Paula." (a moça da bicicleta)

"Tá indo pra casa agora?" (atendente)

"Ah, não, acabei de vir de lá!" (moça da bicicleta)

"Não, na verdade..."(eu)

"Já fui lá duas vezes debaixo deste sol!!!" (bicicleta)

"Mas não falta só ela?" (atendente)

"É, só falta ela. (suspiro)" (bicicleta)

"Então ela vai lá agora com a senhora..." (atendente)

"Na verdade, eu só vim pagar..." (eu)

"Ah, mas a internet não tá funcionando e ela tá visitando os clientes..." (atendente)

"É, eu tô." (bicicleta)

"...e só falta a senhora..." (atendente)

"É, só falta. E já fui lá duas vezes debaixo deste sol!" (bicicleta)

"... pra reinstalar o sistema..." (atendente)

"Já fui lá duas vezes hoje!" (bicicleta)

"Ah! Então é por isso que não consegui entrar na net ontem..." (mais um pensamento em voz alta do que uma constatação)

"É. Mas ela pode ir lá com a senhora..."

"É, eu posso. Mas eu já fui duas vezes hoje, se não der posso ir depois."

"Não, não. (Deus me livre!) Se você puder ir agora, eu tô em horário de almoço... melhor ir agora, porque depois, só à noite... e à noite você não trabalha, não é?"

"É. Então vamos logo!" E já se levanta pegando a bicicleta pra sair.

"Tudo bem. Mas eu tô à pé... vou demorar um pouquinho mais do que você que está de bicicleta..."

"Então a senhora vai na frente, mãe da Paula. Daqui a cinco minutos eu saio e encontro a senhora lá."

Os cinco minutos, na verdade, foram quase trinta. Acho que de castigo porque ela teve que vir, mais uma vez, embaixo daquele sol. E agora a mãe da Paula tá aqui contando esta história pra falar do que mais marcou nesta historinha: perdi a conta do número de vezes em que a Paula torceu o nariz por ser conhecida e/ou reconhecida como a "filha da Lu" e, no final, toda moeda tem dois lados: a filha da Lu e a mãe da Paula. Cara e Coroa.

domingo, 13 de setembro de 2009

Sobre escolhas

É madrugada e aqui estou eu, morrendo de sono.
O que eu tento aqui é cumprir com um certo propósito que eu fiz comigo mesma, e é sobre isso que eu escrevo. Sobre escolhas. E responsabilidades.

Depois de um fim de semana deveras interessante, cheio de conversas, surpresas, constatações (e um pouco de álcool), eu tento escrever. E escrever sobre algo que foi motivo de uma conversa também interessante (apesar de ter parecido ser bem banal), que me fez constatar uma certa verdade (porque isso é, hoje, para mim, uma verdade): nós somos o que somos devido as nossas escolhas, e tudo na vida é escolha.

"Nós podemos tentar deixar de fazer escolhas ao não fazer nada, mas mesmo isso é uma decisão." Esta frase é de autoria do ator Gary Collins, que eu encontrei por acaso nem lembro aonde. Apesar de estar no meu orkut há algum tempo já, parece que só hoje ela fez realmente sentido. Eu poderia estar dormindo agora - na verdade é isso o que eu realmente desejo. Mas não estou. Estou aqui, tentando manter a minha palavra, que tantas vezes já quebrei, e atualizar este blog. E, apesar de ser madrugada, daqui a pouco (assim que terminar este post), vou limpar a casa - afinal, ela tem que ser limpa (sem contar que, se eu quero que as coisas deem certo aqui em casa, eu preciso dar o exemplo e fazer o que eu preciso fazer no tempo correto). E ainda pretendo fazer alguns dos dezoito desenhos que eu tenho que entregar nesta quinta feira, dos quais eu ainda não fiz nenhum.

E é exatamente disto que eu estou falando: de responsabilidade.

É claro que eu poderia ter feito estes desenhos (ou a maior parte deles) durante este fim de semana, mas eu não fiz. E não fiz porque eu escolhi fazer outra coisa - que foi bem mais interessante; mas, no fim das contas, me fez estar aqui agora. E me fez ficar um pouquinho mais longe do meu objetivo, que é me formar.

Tá, tá, eu posso até estar sendo meio drástica. Mas é assim mesmo. Cada vez que eu escolho fazer alguma coisa errada, isto me serve de argumento da próxima vez que eu tiver uma escolha similar a fazer, e eu continuo escolhendo fazer o errado ao certo, porque fazer o certo quase sempre dá muito trabalho. É como uma bola de neve, cada vez aumenta mais e mais e mais e mais, até que um dia você está soterrado.
E não é só em relação aos estudos que eu me refiro; é em relação a tudo. Eu tenho uma tendencia muito grande de fazer isso... Eu escolho quase sempre deixar para amanhã aproveitar o tempo que eu tenho no ônibus para ler algumas páginas de um livro; e assim os livros vão se acumulando. Ah, hoje eu acordei meio tarde para correr, amanhã eu vou sem falta. Dieta? Só na segunda feira. Putz, preciso estudar, mas vou fazer isso semana que vem, essa eu estou meio atarefada. Preciso planejar o meu orçamento, mas isso não é algo urgente; perto do fim do mês eu faço. Ah, to sem inspiração para postar algo decente agora, da próxima vez que eu entrar na net eu posto. E assim vai...

:(

E é por isso que eu estou hoje do jeito que eu estou. Aliás, eu não gosto do verbo ser, mas é ele que eu vou usar agora: é por isso que eu sou do jeito que eu sou. Porque eu sempre decido prorrogar a minha decisão. Porque me falta responsabilidade de encarar que as coisas só vão ser diferentes se eu agir diferente. Porque me falta responsabilidade. (Aliás, agora, depois de uma frase cheia de "porques", me lembro de outra decisão prorrogada: conhecer corretamente a nova e a velha gramática. :D)
E é aqui que eu encaixo a palavra que realmente falta na minha vida: disciplina. É exatamente disto que eu preciso, é isso o que me falta.

Disciplina.
Se eu fosse mais disciplinada eu provavelmente já teria mudado na minha vida coisas que realmente me incomodam. Como me sentir uma hipócrita quando eu me irrito com meu irmão por ver que ele não está se esforçando o suficiente para realizar os seus objetivos. Como me sentir uma inútil ao ver tanta coisa no mundo que eu realmente poderia modificar, mas que eu nunca dou o primeiro passo. Como me sentir uma fracassada ao ficar pensando em como seria a minha vida se eu fosse a pessoa que eu gostaria (e que eu tenho potencial) de ser, mas não sou.

Não vou finalizar meu post com mais uma promessa, que pode ser quebrada tão facilmento. Não quero mais fazer promessas. Eu vou tentar insirir disciplina na minha vida, e vou tentar fazer ela dar certo, mas eu não prometerei nada.
Esperemos.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

De meritis, in perpetuum


Era uma vez uma menininha que cresceu e virou gente grande (tá, só de vez em quando).

Aí a menininha estudou e escolheu uma profissão pra trabalhar, como toda gente grande.

Acontece que a menininha escolheu fazer algo que ela gostava - e coincidentemente, o que ela escolheu tinha sido o sonho da mãe dela um dia.

A mãe dela ficou preocupada: "Menininha, menininha... você não quer isso só porque era o sonho da mamãe não?".

O pai dela ficou preocupado: "Menininha, menininha... você não quer isso só porque era o sonho da sua mãe não?"

Muita gente ficou preocupada: "Menininha, menininha... você não quer isso só porque era o sonho da sua mãe não?"

Mas a menininha (que sabiamente não demonstrava) era mais esperta que muita gente mais velha, não deu nem tchum pra esse povo todo e seguiu seu caminho. Ela sabia, no seu coração, que era o seu sonho que buscava. Que culpa tinha ela se sua mãe tinha sonhado um sonho parecido com o seu?

E a menininha seguiu seu caminho, e mostrou pras pessoas que ela sabia o que queria da vida.
E a vida continuava.

Um dia a menininha ligou pra mãe dela. "Adivinha o que tô fazendo?", ela disse, "a primeira compra pra minha geladeira!". A menininha tinha comprado uma geladeira nova pra sua casa nova na vida nova que ela tinha escolhido.

A mãe dela nem ficou preocupada: "Meninina, menininha... você tá realizando o sonho da sua mãe."

E a mãe dela ficou feliz: "Menininha, menininha... você nem sabe que o sonho da sua mãe é saber você realizada e feliz."

E a menininha continuou seguindo seu caminho: foi ser feliz, que esse era o sonho bom de viver.
P.S. Eu queria falar do meu orgulho, da minha alegria, da minha realização vendo minha filha crescer e caminhar como tem que ser, porque afinal assim é a vida, não é? Mas não consigo. Por mais palavras que use, por mais sentenças que profira, por mais que tente verbalizar não consigo expressar a complexidade e a simplicidade do sentimento que me invade cada vez que constato, embevecida, que vocês cresceram e são perfeitamente capazes de cuidar de si, de trilhar seu caminho, de seguir em frente.
Filhota, eu te amo. E tudo o mais que você já sabe.
Obrigada (por me permitir crescer com você). Obrigada (por tudo, enfim.).

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

'Habemus cama'

Era uma vez uma menininha que terminou a faculdade e foi morar com a mãe, lá por aquelas bandas da Bahia. Quando foi, vendeu todas as coisas que tinha - exceto a máquina de lavar, dessa ela não abre mão.
E, lá na tal da Bahia, a menina não tinha cama - dormia todos os dias com a mãe ou, quando o namorido da mãe ia para lá, num colchão no quarto dela.
Depois de um ano, a menina desistiu da vida baiana, e quis voltar para o sul. Um mês e meio na casa de uma amiga, depois encontrou um cafofo (nojeeeento) pra morar e, mais uma vez, não tinha cama. Aliás, não tinha nada ali. Porque ela ficou com medo do mofo e da água que invadiam a casa, e não quis por nada por lá.
Nessa semana a menina se mudou, mais uma vez. Um apartamento bonitinho, limpinho, fofinho. E, oba!!!, depois de um ano e meio, a cama veio!!! Linda, grandona, como ela queria!
Agora a menininha dorme feliz!

domingo, 30 de agosto de 2009

Post deprê...

Ontem eu estava no ônibus, indo para a Bienal. Estava bem distraída, na verdade, olhando pela janela - adoro divagar no busão. De repente minha atenção foi chamada por um prédio - enorme, lindo, redondo (adoro prédios redondos!), e caríssimo. Era demais! E, a medida que o ônibus foi avançando, eu percebi que estava entrando em uma região de Curitiba que é para poucos - quer dizer, proporcionalmente poucos, porque tinha muitos apês lindos por ali. E então meu pensamento foi passear por estes terrenos...
O mais engraçado é que, apesar de eu ficar divagando, eu fico prestando atenção nas paisagens, e a gente tinha acabado de passar por um bairro meio que, digamos assim, menos favorecido - e, então, o choque.
E isso me dixou numa deprê total... É, não é lá tão difícil me deixar deprimida, mas enfim. E eu acabei indo pensar nas pessoas...

É estranho, quando dizem que existem 6,6 bilhões de pessoas na Terra, o número impressiona, mas nem tanto quanto deveria... Talvez se colocar ele em números fica melhor: 6600000000 seres humanos.

Uma vez eu li uma matéria, postagem, sei lá o quê; um texto em que o autor falava que uma das coisas que ele gostava de fazer quando estava passeando pelo metrô era observar as pessoas e imaginar quem era aquele ser ali do lado: qual seu nome? onde morava? o que fazia da vida? quais eram seus sonhos, suas frustações? será que ele amava alguém? será que era feliz?...
Na época (eu tinha uns 13,14 anos) eu comecei a tentar imaginar isso também, porque me pareceu muito poético - e foi aí que eu descobri, também, que cada um tem a sua própria poesia, porque eu não consigo fazer isso... Eu sempre penso neste ato de fazer, mas não consigo fazer... Talvez porque eu ache que a maioria das pessoas que andam por aí parecem tão tristes, e eu não gosto de histórias tristes se elas são reais...

Mas ontem eu comecei a pensar mais ou menos nisto... Não exatamente na história de cada um, mas nos sonhos...

Ah! Eu tenho tantos sonhos... tantos planos... e eu sei que muitos, senão a maioria deles, serão em vão... MAS eu sou do tipo de pessoa que não fica triste por mim, mas sim pelos outros... eu fico vendo tanta gente que merecia tanto ser feliz, que merecia tanto conseguir realizar planos, que luta tanto... e que, no entanto, nunca chega lá. E isso é tão triste...

Acho que, se um dia fosse escrito a história de toda a humanidade, seria o romance mais triste que já existiu. Imagine, uma história com trilhões de personagens e todos com finais infelizes?

(na verdade, este post é só para desabafar a minha deprê...)

sábado, 29 de agosto de 2009

Emprestando as palavras de Mario Prata


Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente mas, geralmente, não podia.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Paixão é quando apesar da palavra ¨perigo¨ o desejo chega e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não... Amor é um exagero... também não. Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação.

Esse negócio de amor, não sei explicar.

Mario Prata

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Uma canção de aniversário.


Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade
Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer
Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você
Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Meus amigos, minha rua
As garotas da minha rua
Não sinto, não os tenho
Mais um ano sem você
As garotas desfilando
Os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade

Envelheço na Cidade
Ira
Composição: Edgard Scandurra

http://www.youtube.com/watch?v=Nm8CdzMDH-s
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