segunda-feira, 16 de março de 2009

Happy Hour


São interessantes essas conversas de final de dia, geralmente em bar. É incrível como, de uma forma ou de outra, nos acrescenta algo. Muito, às vezes. Hoje foi assim. E com alguém que jamais imaginei.
É tarde da noite quando minha mãe sai do trabalho. Eu, só para variar, estou esperando para jantar. Porque, também para variar, não fiz(emos) compras. Ela não é a única a sair a esta hora: mais três colegas estavam lá. O chefe dela entre eles. Pessoa costumeiramente sisuda, posso contar nos dedos das mãos as vezes em que falou comigo.
Mas hoje é diferente. "Cliente até essa hora? Faz tempo que você está esperando para ser atendida?", pergunta, bem-humorado. Saímos para um hotel-bar-restaurante. Durante o tempo em que estivemos ali, posso afirmar que aprendi muita coisa.
Aprendi o quanto manter a calma em situações de risco pode ser importante. O quanto o dinheiro não vale nada quando uma vida está em jogo. Que nem todo o ouro do mundo, nem a empresa mais responsável que existe valem o sacrifício dos que você ama. Mas, principalmente, aprendi a admirar alguém que, antes, eu não via nada.

(E como o olhar dele fica lindo quando fala da família!)

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pensando bem...


...não temos escrito aqui, nem eu, nem vocês duas.

Não temos dado continuidade aos nossos 'inícios'. Vícios de começar e não terminar? Falta de tempo, de sentido, de motivação, de desejo, de tesão?

Tenho vontade de postar, e acabo me enrolando e nem escrevendo nada, e nem... produzindo nada.

Hoje, sem inspiração, sem intuição, sem tesão - mas muita saudade.

Muita saudade.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Não há, ó gente, ó não...


Eu realmente pedi à mãe que me deixasse escrever ontem. Mas não pude. Não tive como. Tudo que eu começava não ia pra frente. É engraçado isso. Porque, na verdade, não preciso de um dia para me lembrar dele.
Desde que ele se foi não tem um único dia que não tenha pensado nele. Lembrado das unhas, amarelas de nicotina. Comparado às minhas unhas que, mesmo sem a ação da nicotina, se assemelham às dele, pelas habituais marcas.
Desde que ele se foi, tenho percebido o quanto minha mãe tem ficado mais parecida com ele a cada dia. Ontem mesmo notei o quanto suas pernas são parecidas, com o joelho fechando um quadrado. Nada sobrando, nenhuma curva.
Desde que ele se foi, me pego rindo das suas filosofias. A que mais me vem à memória é a de que é o clima que faz a pessoa. Calma, eu explico. É simples. Se um casal de alemães, por exemplo, for morar no Japão e tiverem um filho por lá, o filho vai ser japonês. Não só de nacionalidade, ele tentava nos convencer que vai, inclusive, ter características orientais.
Desde que ele se foi, os únicos sonhos de que me lembro quando acordo são os em que ele se faz presente.
Desde que ele se foi, lembro dele a cada discussão. Ele gostava de me provocar, só pra me ver brava. Quando eu não levava em consideração, ele perguntava: "Uai, benzinho, que que a Paulinha tem hoje?". Ou, quando a tentativa dava certo, radiante, ele exclamava: "Gosto tanto de ver a Paulinha brava!"
Desde que ele se foi, os meus cabelos insistem em me lembrarem dele, esbranquiçando. Acho que puxei isso dele, cabelos brancos antes dos 30. Na verdade já tinha desde os 16, mas agora eles resolveram tomar conta da minha cabeça. Ou então ficando cada vez mais rebeldes. Ele amava me provocar, dizendo que eu tinha uma "cachopa" de abelhas no lugar do cabelo.
Desde que ele se foi, gosto de contar dele para os outros. De como ele gostava de viver e era teimoso, só mudando os hábitos quando o médico sentenciava: ou isso, ou a morte. Foi assim com a bebida, foi assim com o cigarro. Mesmo assim, era tarde.
Desde que ele se foi, descobri em mim mesma um amor que não admitia. Música sertaneja, de raiz, especialmente se tocada numa viola. Bom demais. Aliás, desde que ele se foi, essas músicas sempre marejam os meus olhos.
Desde que ele se foi, me pego, volta e meia, cantando "Caiarolina, Caiarolina, Caiarolina de Jesus" como ele saía pela casa. Ou, às vezes, fica na minha cabeça as paródias que ele sempre entoava: "Minha filha Tatelhana que foi sempre tão bacana..."
Desde que ele se foi, como pipoca sozinha. E sempre que posso, faço a piadinha que ele adorava: "Ô Fulano, aproveita que você vai na cozinha colocar coca pra mim e põe um pouquinho pra você!"
Desde que ele se foi, lugares muito brancos me lembram dele. Não sei porque, mas me lembram.
Desde que ele se foi, quero acender uma vela. Mas, não sei o porquê, me parece que ainda não é a hora.
Desde que ele se foi, me apeguei mais à minha família. Especialmente à família do meu pai. O amava tanto e espero que ele tenha ido embora sabendo disso. Assim como quero que as pessoas da família do meu pai, com quem não tive tanto a oportunidade do convívio, saibam disso quando se forem.
Desde que ele se foi, prometi para mim mesma não brigar com minha avó. Quando vim embora tinha brigado com ele por alguma bobeira e não pedi desculpas. Espero que minha avó não se vá tão cedo mas, quando ela for, quero que tudo entre nós esteja na mais perfeita paz.
Desde que ele se foi, sempre penso no quanto fui privilegiada. Fui a última pessoa que ele tirou num amigo secreto, mesmo que tenha havido confusão na hora da entrega dos presentes.
Desde que ele se foi, tenho ficado mais tranquila em relação à morte. Sei que, quando chegar minha vez, ele vai estar me esperando. Talvez seja bobeira, mas a idéia de encontrá-lo novamente fez com que o medo que eu tenho da morte diminuísse radicalmente. Isso se torna ainda mais acalentador quando me lembro da vez que ele me disse que ia antes para preparar, no céu, a casinha com que ele tanto sonhava aqui. "Sua avó merece, vai ser do jeitinho que ela sonha", me disse.
Desde que ele se foi, procuro pedacinhos dele em cada canto. Seja no chaveiro que ele havia deixado com minha avó ou no Pinnochio de pelúcia que ele me deu, certa vez. Ou nas fotos que fuço, volta e meia.
Desde que ele se foi, coleciono lembranças. Como a dele indo jogar futebol com a gente quando já não tinha mais a rigidez das pernas e caindo, acidentalmente. Ou na vez em que eu, minha mãe e meus irmãos sofremos um acidente de carro e como ele, heróicamente, nos encontrou na estrada. Ou a mais antiga delas que tenho, quando eu era pequena e tomava banho, sozinha, na banheira, e o xampu caiu no meu olho e ele saiu correndo para me socorrer, ao ouvir o meu choro. Ou então a memória que mais gosto, de pouco tempo antes dele ir embora. Passamos a virada do ano na casa do meu tio e voltamos tarde para casa, de manhã, já. Ao chegar lá, quando ia me deitar, ouvi minha avó falando com ele, no quarto. Como fazia menos de uma semana que ele tinha passado mal no quarto, bati na porta. Ele não conseguia respirar direito. Demorou um tempo até o levarmos para o hospital, minha avó imaginava que apenas a inalação iria resolver. Enquanto voltavam à casa do meu tio para buscar o inalador, eu fiquei do lado da cama dele, o ajudando. Ele pedia para ajudá-lo a se levantar, eu ajudava. Não melhorava, deitava de novo. Nada. Pedia ajuda. E assim foi, até chegar o inalador. Como a inalação não resolveu, a vó foi levá-lo ao médico e eu, fui para o quarto, já que tinha virado a noite e estava cansada. Ele perguntou à minha avó, quando o portão da garagem estava abrindo: "Benzinho, a Paulinha não vem não? Ela é tão boazinha com a gente..." Eu fui. Ele, inclusive, quis que o acompanhasse à sala do médico, não a minha avó. Pode até parecer pouco, mas me senti muito importante aquele dia. Eu, que a vida inteira precisei do meu avô, podia ser um pouco útil, naquele momento.
É, desde que ele se foi ficou um vazio "impreenchível" em mim. E uma vontade enorme de reencontrá-lo para poder abraçar e beijar tanto, pedir desculpas e dizer, em voz alta: te amo, vozinho. Porque, desde que ele se foi, minha voz fica embargada com essa frase.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Um ano...

... e vou deixar pra você falar sobre a falta que faz, Paulinha.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Pensando bem...


Quando vim para Valença, levei um susto com o número de pessoas que, nesta região, processam o banco. No início, fiquei mesmo admirada. Depois, passei por um processo de auto crítica, analisando e vendo que o atendimento, por vezes, é mesmo deficiente. Logo após, veio o período de indignação, tantas e tantas pessoas processando o banco para, como se diz por aqui, "se dar de bem": assinou um contrato, deixou de usar a conta que ainda ficou negativa, não quer pagar e ainda quer ganhar em cima. O nome foi para o SERASA porque estava devendo e não foi avisado, quer idenização por danos morais (pô, mas não tava devendo? Todo mundo sabe que, devendo, o nome vai pro SERASA/SPC!!!)... e assim vai.

Hoje, neste exato momento, penso em processar um órgão desses. O fornecimento de água aqui é de responsabilidade do SAAE. Em maio, junho, não me lembro, tive minha água cortada num final de semana - e não estava atrasada. Tive que tomar banho na casa de colegas, foi constrangedor - mas tudo bem, deixei passar. Agora, mês passado, fui notificada de que iam cortar a água porque estavam sem pagamento os meses 10 e 11. Liguei lá, mexi nas coisas (tá, sei que devo guardar todos os recibos juntinhos), dei os recibos ao meu filho que estava de férias aqui e ele foi lá: "mãe, ela disse que tá tudo bem." Ok, então.

Ontem me chega no trabalho a vizinha, dizendo que vieram cortar minha água pelo mesmo motivo. Pode???? Não dá vontade de processar uma meleca destas, afinal? É muitomuitomuito constrangedor as pessoas vendo que sua água foi cortada por falta de pagamento - principalmente quando não tem falta de pagamento. Mas o pior é: não encontro os recibos. Não sei onde meu filho colocou, ele não se lembra, o que é normal pois a casa estava cheia e é pequena, e... tudo bem, eu nem queria mesmo processar o SAAE. Eu ia ficar feliz só de não ter que pagar de novo o que já paguei. Mas, pelo andar da carruagem...

:/

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Tô com sintomas de saudade...

Às vezes eu queria que o mundo fosse mesmo plano. Assim a gente não ia ter tanto lugar pra correr. A gente ia ficar mais perto de quem a gente ama, sempre.
Às vezes eu queria não sentir saudades. Ser menos manteiga derretida, mais decidida, me importar menos com os outros.
Mas eu não sou assim. Não consigo ser assim.
Agora, nesse exato momento, queria que essa tal de saudade, que tanto me acompanha, me deixasse em paz. Me doesse menos, me maltratasse menos.
E que eu pudesse ter dito ao menos tchau.
Ou até logo, quem sabe.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Constatação.


É preciso muito pouco pra ser feliz.
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